ADAN e 27 parceiras pedem à UE elevação dos limites do Regime Piloto DLT

A ADAN e 27 organizações parceiras instaram, em 8 de setembro, os formuladores de políticas da União Europeia a elevar os limites de volume de transações do Regime Piloto DLT, alertando que os tetos atuais vão sufocar os ativos tokenizados. O apelo, apresentado no contexto da revisão do Pacote de Integração e Supervisão de Mercados da Comissão Europeia, argumenta que os limites do regime são baixos demais para acomodar uma atividade de mercado significativa.

A Associação para o Desenvolvimento de Ativos Digitais, conhecida como ADAN, representa profissionais franceses e europeus de ativos digitais. A carta da coalizão enquadra os tetos existentes como uma barreira estrutural ao crescimento dos mercados de valores mobiliários tokenizados em toda a União Europeia. Os níveis específicos de volume solicitados pela coalizão não foram divulgados no registro público disponível.

Limites atuais do Regime Piloto DLT restringem volumes de ativos tokenizados a € 6 bilhões por emissor

O Regime Piloto DLT, aplicável em toda a União Europeia desde março de 2023, estabelece um ambiente controlado para a negociação e liquidação de instrumentos financeiros tokenizados com uso de tecnologia de registro distribuído. Pelas normas técnicas do regime, os volumes de transações são limitados a € 6 bilhões por emissor para ações, títulos e cotas de fundos tokenizados.

O limite de € 6 bilhões se aplica ao valor de mercado agregado dos instrumentos financeiros admitidos à negociação ou registrados em uma infraestrutura de mercado DLT. Para as plataformas multilaterais de negociação DLT, o teto é fixado em € 6 bilhões em capitalização de mercado total de todos os instrumentos admitidos. Os sistemas de liquidação DLT enfrentam um teto de € 6 bilhões sobre o valor agregado das transações liquidadas.

Esses limites foram concebidos como um mecanismo de salvaguarda. A Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados, a ESMA, que redigiu as normas técnicas que sustentam o regime, enquadrou os tetos como uma forma de conter riscos potenciais enquanto o piloto operasse. O piloto estava originalmente programado para durar até seis anos, com um mecanismo de revisão incorporado à legislação.

Participantes do setor têm argumentado de forma consistente que o teto de € 6 bilhões é restritivo demais. Uma única emissão de títulos corporativos de grande porte ou uma listagem de ações de tamanho modesto pode consumir uma parcela significativa da margem disponível. Para plataformas de tokenização que buscam atrair emissores institucionais, o teto gera incerteza sobre a possibilidade de escalar as operações dentro dos limites do piloto.

O regime também impõe limites por emissor inferiores aos tetos agregados. Para ações tokenizadas, a capitalização de mercado de um único emissor não pode ultrapassar € 500 milhões. Para títulos tokenizados, o limite de emissão por emissor é de € 1 bilhão. Esses sublimites restringem ainda mais a utilidade prática do piloto para emissores corporativos de maior porte.

ADAN e 27 parceiras exigem tetos mais altos no Pacote de Integração e Supervisão de Mercados da UE

A intervenção de 8 de setembro da ADAN e de suas 27 parceiras tem como alvo o Pacote de Integração e Supervisão de Mercados da Comissão Europeia, conhecido como MISP. Esse pacote legislativo, em revisão em 2026, aborda múltiplos aspectos da regulação dos mercados financeiros da UE, incluindo possíveis alterações ao Regime Piloto DLT.

A demanda central da coalizão é direta: autorizar volumes de transação mais altos no âmbito do piloto. A carta argumenta que, sem aumentos significativos dos tetos, o regime não conseguirá atingir seu objetivo declarado de testar a infraestrutura de ativos tokenizados em escala. Os níveis específicos de volume mais altos propostos pela coalizão não foram tornados públicos.

A identidade das 27 organizações parceiras não foi totalmente divulgada no registro público disponível. A base de associados da ADAN inclui grandes empresas europeias de criptoativos e ativos digitais, e a coalizão provavelmente reúne bolsas, custodiantes, plataformas de tokenização e associações setoriais de vários Estados-membros da UE. A ausência de uma lista pública de signatários representa uma lacuna no registro público.

O momento da carta é significativo. A revisão do MISP representa a primeira oportunidade legislativa de alterar os parâmetros do Regime Piloto DLT desde seu lançamento. Grupos do setor vêm se posicionando para essa revisão desde os primeiros meses do piloto, quando a adesão inicial se mostrou mais lenta do que o previsto.

O alerta da coalizão de que os limites atuais "vão sufocar os ativos tokenizados" reflete uma preocupação mais ampla do setor. Defensores da tokenização argumentam que a UE corre o risco de ficar para trás em relação a outras jurisdições, incluindo Suíça e Singapura, que adotaram estruturas mais flexíveis para a infraestrutura de mercado de ativos digitais.

Comissão Europeia e ESMA sinalizam abertura para revisar limites do Regime Piloto DLT

A Comissão Europeia indicou abertura para revisar os parâmetros do Regime Piloto DLT como parte do processo do MISP. Declarações oficiais da Comissão reconheceram que a adesão ao piloto tem sido limitada e que ajustes podem ser necessários para alcançar os objetivos do regime.

A ESMA sinalizou de forma semelhante disposição para revisitar as normas técnicas que implementam os tetos. Em seus relatórios de monitoramento do piloto, a ESMA observou o baixo número de pedidos de licenças de infraestrutura de mercado DLT. No período de relatório mais recente, apenas um punhado de entidades havia sido autorizado em toda a UE.

Os documentos de revisão do MISP da Comissão ainda não incluíram propostas específicas para elevar o limite de € 6 bilhões. O processo legislativo permanece em estágio inicial, com a expectativa de que a Comissão publique propostas formais antes de o Parlamento Europeu e o Conselho iniciarem suas respectivas leituras.

O tom regulatório mudou desde o lançamento do piloto. As comunicações iniciais enfatizavam a cautela e a necessidade de salvaguardas. Declarações mais recentes tanto da Comissão quanto da ESMA reconheceram que os tetos podem precisar de recalibragem para tornar o piloto um teste significativo da infraestrutura de mercado tokenizado.

Contra-argumentos do setor alertam que elevar os tetos pode aumentar o risco sistêmico nos mercados tokenizados

Nem todas as partes interessadas apoiam a elevação dos tetos. Alguns reguladores e acadêmicos alertaram que limites de volume mais altos podem amplificar riscos sistêmicos nos mercados tokenizados. A preocupação se concentra na interação entre a liquidação baseada em DLT e a infraestrutura tradicional do mercado financeiro.

O contra-argumento sustenta que o teto de € 6 bilhões funciona como um disjuntor. Se um sistema de liquidação DLT sofresse uma falha operacional ou uma violação de segurança, o teto limitaria o potencial de contágio para o sistema financeiro mais amplo. Elevar o teto sem aprimoramentos correspondentes nos padrões de resiliência operacional poderia aumentar o que está em jogo em qualquer falha.

Comentários acadêmicos sobre o Regime Piloto DLT observaram que os mercados tokenizados permanecem relativamente pouco testados em escala. A ausência de um ciclo de mercado completo durante o piloto significa que os modelos de risco se baseiam em dados empíricos limitados. Alguns pesquisadores argumentam que os tetos deveriam permanecer em vigor até que mais evidências se acumulem.

As próprias avaliações de risco da ESMA enfatizaram a importância de manter salvaguardas durante a fase piloto. As normas técnicas da autoridade foram concebidas com limites conservadores justamente porque o comportamento da tecnologia sob condições de estresse ainda não era bem compreendido.

O debate reflete uma tensão fundamental na regulação financeira: o desejo de fomentar a inovação contra o imperativo de proteger a estabilidade do mercado. A coalizão da ADAN argumenta que o equilíbrio atual é conservador demais. Reguladores e acadêmicos que pedem cautela argumentam que o equilíbrio deve mudar apenas gradualmente.

Parlamento e Conselho da UE debatem cronograma para alterações do Regime Piloto DLT

O caminho legislativo para alterar o Regime Piloto DLT passa pelo procedimento padrão de codecisão da UE. A Comissão Europeia deve primeiro publicar suas propostas formais do MISP. O Parlamento Europeu e o Conselho da UE adotarão, então, cada um, suas posições antes de entrar nas negociações em trílogo.

Nenhuma data específica para votações no Parlamento sobre alterações do Regime Piloto DLT foi agendada até o período de relatório atual. O pacote MISP é complexo, abrangendo múltiplas áreas regulatórias além do piloto DLT, o que significa que o cronograma para disposições individuais permanece incerto.

As negociações em trílogo, nas quais representantes do Parlamento, do Conselho e da Comissão conciliam suas posições, devem ocorrer depois que ambos os colegisladores tiverem adotado seus respectivos mandatos. Observadores do setor preveem que as disposições do Regime Piloto DLT estarão entre os elementos mais contestados do pacote.

A carta de 8 de setembro da coalizão é melhor compreendida como um movimento de abertura em uma campanha legislativa mais longa. Ao definir sua posição desde cedo, a ADAN e suas parceiras buscam influenciar o processo de redação da Comissão antes da publicação das propostas formais.

O próximo sinal concreto a observar é a publicação, pela Comissão, do texto legislativo do MISP. Esse documento revelará se a Comissão pretende elevar os tetos do Regime Piloto DLT e em quanto. Até que esse texto apareça, os níveis específicos de volume em discussão permanecem uma questão de negociação privada entre o setor e os formuladores de políticas.

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